Rainy day

November 4, 2008, Tuesday

Engraçado as recordações que me chegam à cabeça nos dias de chuva. Cheguei da escola em tempo de não me ensopar, e assim que começou a chover, prestei atenção nas gotas caindo nas árvores, nos fundos no quintal. O verde das folhas acentuado por causa da água, o balanço em consequência do vento e o contraste com o fundo cinza de um fim de tarde mau-humorado. Típico dia que nos faz contemplar sobre várias coisas. Hoje me flagrei lembrando de uma parte de minha infância, quando naqueles momentos em que estamos em nossa cama um pouco antes de pegar no sono e nos faz pensar em um monte de coisas enquanto olhamos para o teto. Lembrei que naquele tempo meu sonho era ficar muito rico a ponto de conseguir comprar uma ilha. A ilha em si não era pretexto para me exibir ou convidar os amigos para passear, mas sim para me distanciar de tudo e de todos. Lembro que eu ficava planejando minha aposentadoria nessa ilha, completamente sozinho, sem mesmo uma esposa ou namorada. Ficava pensando em uma solucão para não dar trabalho para meus filhos (se por acaso viria a ter), quando me tornasse velho e cheio de problemas. O objetivo seria ficar na ilha até a vida deixar a carcaça do velho. Agora não sei porque eu pensava esse tipo de coisa, uma vez que meus avós nunca deram problemas para meus pais. Um visita ou outra no médico, mas longe de algo incômodo. Além disso, eu acho que esse pensamento era demais de inadequado para alguém com a idade que eu tinha (por volta dos 18 anos). Será que alguém ja pensou esse tipo de coisa, ou é só eu que não bato bem das idéias mesmo?

Anyway, voltando ao assunto, desde que cheguei por aqui, o que sinto mais falta é de pessoas. Sinto muita falta, mas muita falta mesmo dos amigos, da família, das pessoas queridas… Por aqui, até brasileiro ja se acostumou a ser frio como os habitantes dessa cidade. E não tenho mais nenhuma vontade de morrer sozinho em uma ilha. Não tenho diálogo nem com minha flatmate, não sei o que acontece. Talvez não nos damos mesmo. Ás vezes sinto-me meio estranho e diferente. Na rua as pessoas me vigiam com olhos desconfiados e na escola sou meio que evitado. Até perguntei para a Vic se eu me pareço meio estranho ou tenho uma cara negativa. Talvez seja carência mesmo… :o )

Bom, chega de choramingar. Amanhã é dia de branco. Mais um dia se foi e mais outro à começar.

Cheers

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