Cadê o guarda-chuva?
March 31, 2008, Monday
Hoje acordei um pouco mais tarde que o normal, por volta dàs 5:30. Peguei o jornal, fui pro banheiro ver a parte de empregos e ja circulei algumas oportunidades. Fui pra cozinha preparar aquele café, quando de repente ouço um barulho estranho no teto da casa. A princípio não acreditei, mas era ela, a chuva enfim chegou em perth, para a alegria das minhas fosas nasais ressecadas. Liguei a chaleira elétrica e enquanto esperava a água ferver, fiquei olhando a beleza da chuva caindo nas árvores do pomar no fundo da casa. Ao mesmo tempo comecei a pensar (eu demoro para pegar no tranco de manhã), lembrei da Camila me falando para trazer o guarda-chuva e eu, como um bom taurino, disse que não precisava e insisti para não trazer o bendito guarda-chuva. Até aí tudo bem, pois eu posso utilizar meu super jaco do exército que aguenta muito bem, porém ao pensar nisso, me veio à cabeça a primeira coisa que esqueci de trazer. Um jaco de chuva azul que eu sempre utilizava para andar de moto. Eu havia deixado separado, porém acabei esquecendo de trazer e nem me lembro onde ele acabou ficando.
Anyway, coloquei a bermuda, calcei o tênis, jaquetão, mochila e vamos que vamos. Incrível como o tempo muda aqui, pois além de chovendo, estava fazendo um belo frio. O ponto é do lado de casa, mas ja cheguei com os pés ensopados. Coloquei a mochila no banco e fiquei esperando o ônibus. Encostei no muro do ponto de ônibus e estava crente que o ônibus chegaria do lado que estava olhando, porém só fui lembrar que na Austrália a direção é contrária, depois que o motorista passou direto, pelo outro lado e ainda fez questão de dar uma buzinadinha para o “trouxa” se ligar e dar o sinal de parada. Verifiquei o horário do próximo ônibus fixada no poste do ponto e constatei que o próximo chegaria em 15 minutos. Dito e feito, depois de 15 min, estava o próximo busão, parando e abrindo a porta para o cavalheiro entrar. O trajeto foi tranquilo, sem grandes novidades, a não ser o receio das australianas de sentar ao lado de um brasileiro todo molhado com a jaqueta do exército dos Estados Unidos. Acho que elas pensaram que eu era um aborígene. Por falar em aborígene, realmente esses caras aqui não são fáceis, batem em todo mundo que vêem pela frente. O lema é, se vir um aborígene vindo em sua direção, mude para o outro lado da rua.
Cheguei na escola, primeiro dia de aula, aquela muvuca na sala de recepção. Gente do mundo inteiro veio aprender inglês, todos olhando um pro outro, sem saber o que fazer, eis que chega o coordenador e nos encaminha para o ginásio. Lá tivemos dicas de como será nosso curso e do que precisamos saber para não entrar em encrencas. Achei engraçado a Michelle perguntando se todos haviam entendido o que ela disse. E pelo olhar e silêncio da grande maioria, acho que somente 12% dos 50 alunos novos que entraram hoje entenderam o que ela estava falando.
Nesse meio tempo conheci o Rafael de São Caetano e a Glenda da Lapa, pessoas boníssimas. Acabamos virando parceiros e a Glenda acabou ficando em minha classe. Após o teste, fui certificado para atuar no nível intermediário, assim como eles dois. Teremos aulas de segunda à sexta, dàs 9 às 11:30 - 12:00 - 13:00 e dàs 15:00 às 17:00. Ja fiquei preocupado com o horário de trabalho, porém a coordenação disse, que se aparecer um trabalho, podemos pedir para nosso empregador escrever uma carta para a escola solicitando a mudança de horário.
A aula foi muito divertida, a professora super bacana e engraçada. A aula super dinâmica e na próxima quarta-feira iremos até o zoológico de Perth aprender como se fala macaco em inglês.
Ao final da aula, convidei a Glenda e o Rafael para tomar uma cerva e comemorarmos o primeiro dia. A Heineken desceu que nem água e não vejo a hora de voltar lá amanhã.
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